Português (brasileiro) Bíblia - João Ferreira de Almeida Atualizada

 

The Gospel According to St. Luke

 

Capítulo 8

 

 

1.

 

Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze,   

    
 
 

2.

 

bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.   

    
 
 

3.

 

Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.   

    
 
 

4.

 

Ora, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola:   

    
 
 

5.

 

Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; e foi pisada, e as aves do céu a comeram.   

    
 
 

6.

 

Outra caiu sobre pedra; e, nascida, secou-se porque não havia umidade.   

    
 
 

7.

 

E outra caiu no meio dos espinhos; e crescendo com ela os espinhos, sufocaram-na.   

    
 
 

8.

 

Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.   

    
 
 

9.

 

Perguntaram-lhe então seus discípulos o que significava essa parábola.   

    
 
 

10.

 

Respondeu ele: A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.   

    
 
 

11.

 

É, pois, esta a parábola: A semente é a palavra de Deus.   

    
 
 

12.

 

Os que estão à beira do caminho são os que ouvem; mas logo vem o Diabo e tira-lhe do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos.   

    
 
 

13.

 

Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, mas na hora da provação se desviam.   

    
 
 

14.

 

A parte que caiu entre os espinhos são os que ouviram e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas, e deleites desta vida e não dão fruto com perfeição.   

    
 
 

15.

 

Mas a que caiu em boa terra são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança.   

    
 
 

16.

 

Ninguém, pois, acende uma candeia e a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz.   

    
 
 

17.

 

Porque não há coisa encoberta que não haja de manifestar-se, nem coisa secreta que não haja de saber-se e vir à luz.   

    
 
 

18.

 

Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver, até o que parece ter lhe será tirado.   

    
 
 

19.

 

Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão.   

    
 
 

20.

 

Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te.   

    
 
 

21.

 

Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam.   

    
 
 

22.

 

Ora, aconteceu certo dia que entrou num barco com seus discípulos, e disse-lhes: Passemos à outra margem do lago. E partiram.   

    
 
 

23.

 

Enquanto navegavam, ele adormeceu; e desceu uma tempestade de vento sobre o lago; e o barco se enchia de água, de sorte que perigavam.   

    
 
 

24.

 

Chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança.   

    
 
 

25.

 

Então lhes perguntou: Onde está a vossa fé? Eles, atemorizados, admiraram-se, dizendo uns aos outros: Quem, pois, é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?   

    
 
 

26.

 

Apontaram à terra dos gerasenos, que está defronte da Galiléia.   

    
 
 

27.

 

Logo que saltou em terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso de demônios, que havia muito tempo não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos sepulcros.   

    
 
 

28.

 

Quando ele viu a Jesus, gritou, prostrou-se diante dele, e com grande voz exclamou: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.   

    
 
 

29.

 

Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois já havia muito tempo que se apoderara dele; e guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas ele, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.   

    
 
 

30.

 

Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios.   

    
 
 

31.

 

E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo.   

    
 
 

32.

 

Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu.   

    
 
 

33.

 

E tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se.   

    
 
 

34.

 

Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.   

    
 
 

35.

 

Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem havia saído os demônios; e se atemorizaram.   

    
 
 

36.

 

Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado.   

    
 
 

37.

 

Então todo o povo da região dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande medo. Pelo que ele entrou no barco, e voltou.   

    
 
 

38.

 

Pedia-lhe, porém, o homem de quem haviam saído os demônios que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:   

    
 
 

39.

 

Volta para tua casa, e conta tudo quanto Deus te fez. E ele se retirou, publicando por toda a cidade tudo quanto Jesus lhe fizera.   

    
 
 

40.

 

Quando Jesus voltou, a multidão o recebeu; porque todos o estavam esperando.   

    
 
 

41.

 

E eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga; e prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que fosse a sua casa;   

    
 
 

42.

 

porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Enquanto, pois, ele ia, apertavam-no as multidões.   

    
 
 

43.

 

E certa mulher, que tinha uma hemorragia havia doze anos [e gastara com os médicos todos os seus haveres] e por ninguém pudera ser curada,   

    
 
 

44.

 

chegando-se por detrás, tocou-lhe a orla do manto, e imediatamente cessou a sua hemorragia.   

    
 
 

45.

 

Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem.   

    
 
 

46.

 

Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder.   

    
 
 

47.

 

Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada.   

    
 
 

48.

 

Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.   

    
 
 

49.

 

Enquanto ainda falava, veio alguém da casa do chefe da sinagoga dizendo: A tua filha já está morta; não incomodes mais o Mestre.   

    
 
 

50.

 

Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe: Não temas: crê somente, e será salva.   

    
 
 

51.

 

Tendo chegado à casa, a ninguém deixou entrar com ele, senão a Pedro, João, Tiago, e o pai e a mãe da menina.   

    
 
 

52.

 

E todos choravam e pranteavam; ele, porém, disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme.   

    
 
 

53.

 

E riam-se dele, sabendo que ela estava morta.   

    
 
 

54.

 

Então ele, tomando-lhe a mão, exclamou: Menina, levanta-te.   

    
 
 

55.

 

E o seu espírito voltou, e ela se levantou imediatamente; e Jesus mandou que lhe desse de comer.   

    
 
 

56.

 

E seus pais ficaram maravilhados; e ele mandou-lhes que a ninguém contassem o que havia sucedido.   

    
 
 

Luke 9

 

 

 

 

 
 
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