Português (brasileiro) Bíblia - João Ferreira de Almeida Atualizada

 

The Gospel According to St. Matthew

 

Capítulo 27

 

 

1.

 

Ora, chegada a manhã, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;   

    
 
 

2.

 

e, maniatando-o, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.   

    
 
 

3.

 

Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo:   

    
 
 

4.

 

Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo.   

    
 
 

5.

 

E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se.   

    
 
 

6.

 

Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas de prata, e disseram: Não é lícito metê-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.   

    
 
 

7.

 

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para servir de cemitério para os estrangeiros.   

    
 
 

8.

 

Por isso tem sido chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue.   

    
 
 

9.

 

Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram,   

    
 
 

10.

 

e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.   

    
 
 

11.

 

Jesus, pois, ficou em pé diante do governador; e este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.   

    
 
 

12.

 

Mas ao ser acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.   

    
 
 

13.

 

Perguntou-lhe então Pilatos: Não ouves quantas coisas testificam contra ti?   

    
 
 

14.

 

E Jesus não lhe respondeu a uma pergunta sequer; de modo que o governador muito se admirava.   

    
 
 

15.

 

Ora, por ocasião da festa costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.   

    
 
 

16.

 

Nesse tempo tinham um preso notório, chamado Barrabás.   

    
 
 

17.

 

Portanto, estando o povo reunido, perguntou-lhe Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado o Cristo?   

    
 
 

18.

 

Pois sabia que por inveja o haviam entregado.   

    
 
 

19.

 

E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas na questão desse justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele.   

    
 
 

20.

 

Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as multidões a que pedissem Barrabás e fizessem morrer Jesus.   

    
 
 

21.

 

O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? E disseram: Barrabás.   

    
 
 

22.

 

Tornou-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, que se chama Cristo? Disseram todos: Seja crucificado.   

    
 
 

23.

 

Pilatos, porém, disse: Pois que mal fez ele? Mas eles clamavam ainda mais: Seja crucificado.   

    
 
 

24.

 

Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem; seja isso lá convosco.   

    
 
 

25.

 

E todo o povo respondeu: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.   

    
 
 

26.

 

Então lhes soltou Barrabás; mas a Jesus mandou açoitar, e o entregou para ser crucificado.   

    
 
 

27.

 

Nisso os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte.   

    
 
 

28.

 

E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate;   

    
 
 

29.

 

e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!   

    
 
 

30.

 

E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça.   

    
 
 

31.

 

Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes, e levaram-no para ser crucificado.   

    
 
 

32.

 

Ao saírem, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.   

    
 
 

33.

 

Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer, lugar da Caveira,   

    
 
 

34.

 

deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.   

    
 
 

35.

 

Então, depois de o crucificarem, repartiram as vestes dele, lançando sortes, [para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitaram sortes.]   

    
 
 

36.

 

E, sentados, ali o guardavam.   

    
 
 

37.

 

Puseram-lhe por cima da cabeça a sua acusação escrita: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.   

    
 
 

38.

 

Então foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.   

    
 
 

39.

 

E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça   

    
 
 

40.

 

e dizendo: Tu, que destróis o santuário e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.   

    
 
 

41.

 

De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:   

    
 
 

42.

 

A outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Rei de Israel é ele; desça agora da cruz, e creremos nele;   

    
 
 

43.

 

confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.   

    
 
 

44.

 

O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados.   

    
 
 

45.

 

E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.   

    
 
 

46.

 

Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?   

    
 
 

47.

 

Alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Ele chama por Elias.   

    
 
 

48.

 

E logo correu um deles, tomou uma esponja, ensopou-a em vinagre e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.   

    
 
 

49.

 

Os outros, porém, disseram: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.   

    
 
 

50.

 

De novo bradou Jesus com grande voz, e entregou o espírito.   

    
 
 

51.

 

E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam,   

    
 
 

52.

 

os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados;   

    
 
 

53.

 

e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.   

    
 
 

54.

 

ora, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus.   

    
 
 

55.

 

Também estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o ouvir;   

    
 
 

56.

 

entre as quais se achavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.   

    
 
 

57.

 

Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também era discípulo de Jesus.   

    
 
 

58.

 

Esse foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue.   

    
 
 

59.

 

E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo, de linho,   

    
 
 

60.

 

e depositou-o no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha; e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou- se.   

    
 
 

61.

 

Mas achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.   

    
 
 

62.

 

No dia seguinte, isto é, o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus perante Pilatos,   

    
 
 

63.

 

e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou: Depois de três dias ressurgirei.   

    
 
 

64.

 

Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia; para não suceder que, vindo os discípulos, o furtem e digam ao povo: Ressurgiu dos mortos; e assim o último embuste será pior do que o primeiro.   

    
 
 

65.

 

Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o seguro, como entendeis.   

    
 
 

66.

 

Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra, e deixando ali a guarda.   

    
 
 

Matthew 28

 

 

 

 

 
 
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